Três anos atrás...
Era uma manhã fria nas ruas de Miami. Sophia Goldman estava em seus trajes sociais se dirigindo ao seu escritório. Desde o momento em que acordara, seu celular não parou de tocar. Era uma ligação que ela estava esperando, mas não estava tão segura de que queria atende-la. Mensagens de texto foram enviadas quando perceberam que ela não queria atender. Era óbvio que precisavam muito dela, ou que era alguém que tinha ordens restritas para fazer aquilo.
Era uma manhã fria nas ruas de Miami. Sophia Goldman estava em seus trajes sociais se dirigindo ao seu escritório. Desde o momento em que acordara, seu celular não parou de tocar. Era uma ligação que ela estava esperando, mas não estava tão segura de que queria atende-la. Mensagens de texto foram enviadas quando perceberam que ela não queria atender. Era óbvio que precisavam muito dela, ou que era alguém que tinha ordens restritas para fazer aquilo.
Durante o dia no trabalho, Sophia manteve-se pensativa e distraída. Nada saía de sua cabeça a não ser aquele telefonema, o qual estava esperando há um mês. Ele poderia ser tudo aquilo que ela esperava e precisava para concluir sua missão, porém poderia também destruir sua vida social para sempre.
Ao fim do dia, saiu do escritório e dirigiu rápido até seu apartamento. Era um lugar onde ela poderia pensar com calma, sem acelerar nenhum dos processos que já estavam a todo vapor em sua mente.
Ao chegar, olhou para sua sala, e lá encontrou, da mesma maneira como havia deixado, suas malas prontas e arrumadas. Os móveis haviam sido retirados do local, assim como ela havia solicitado pela manhã. Naquele momento ela percebeu que sua decisão já havia sido tomada há muito tempo, talvez desde quando nascera. Sophia tirou o celular da bolsa mesmo antes de fechar a porta do apartamento.
—Olá, sou eu.
—Senhorita Goldman? — a voz feminina e o sotaque britânico foram reconhecidos por Sophia — Tentamos encontrá-la o dia inteiro, onde esteve?
—Isso não é importante agora — com o pé, Sophia fechou a porta e foi caminhando até a janela da sala, observando o pôr-do-sol. — Preciso saber o que descobriram. Temos boas informações?
—Senhorita Goldman, as informações são preciosas. Nossas pesquisas podem com certeza obter resultados no SSRCC, porém, não temos ninguém além da senhorita capacitado o suficiente para conseguir entrar naquele prédio como uma empregada.
Sophia suspirou olhando pela janela, como se estivesse se despedindo da praia de Miami. Seus olhos já estavam se enchendo de lágrimas, mas ela logo se conteve, sabendo que deveria dar sua palavra final.
—Eu posso viajar amanhã de manhã. Esse lugar fica no Cairo, certo?
—Exato, senhorita! Tenha certeza de procurar por Barry Quinn. Ele quem está procurando pelos profissionais. Eu tenho algumas diretrizes aqui e...
—Não se incomode por favor. Eu me viro. Obrigada.
Sophia Goldman desligou o celular e começou a discar outro número, sem mesmo escutar o que a moça do outro lado da linha tinha a lhe falar. Essa conversa, sabia ela, seria muito pior, mesmo que a outra pessoa não estivesse do outro lado da linha para replicar.
Essa é a caixa postal de James Bright. Deixe seu recado após o sinal.
—Oi, querido. Eu sei que não deveria estar fazendo isso por telefone, muito menos na situação em que estamos agora. Eu simplesmente não sou quem você pensa que sou. Eu sou uma pessoa horrível e jamais deveria ter me envolvido contigo, sabendo que qualquer dia isso poderia estar acontecendo. Só quero que você saiba que eu te amo, incondicionalmente, e que eu jamais vou te esquecer, mas a partir de amanhã, você não vai mais me ver, nunca mais. Por favor, me perdoe. Eu tenho certeza que nosso casamento no mês que vem seria maravilhoso, e que nós seríamos um casal muito feliz, com nossos filhos e a casa linda que você escolheu. Mas a vida tem seus jogos e não adianta lutar contra eles. Me perdoe por tudo, pois nunca mereci seu amor. Beijos de sua para sempre amada, Adrienne Goldberg Bright.
Após desligar o celular pela segunda vez naquela noite, Sophia o jogou no chão e pisou nele até que se fizesse em pedaços. Após isso, tirou a aliança de noivado que havia ganhado de James Bright e a devolveu a sua caixinha. Colocou-a junto a outras três em uma caixa um pouco maior. Nesse momento, não resistiu e caiu em lágrimas, jogando-se ao chão em um dos cantos do quarto que já havia sido esvaziado.
Paulino de Souza cruzava os pátios da universidade de Oxford desfilando em sua beca com o diploma nas mãos. O mestrado em filosofia e arte religiosa era sua meta desde que entrara na faculdade. O mundo dos segredos das religiões e igrejas sempre lhe fascinara, afinal, muitas verdades sobre a vida dos homens ainda poderiam estar escondidas em algum lugar nesse ramo.
Há um ano, quando teve férias, Paulino viajou para o Brasil, sua terra natal, para visitar o pai. Ele desejava nunca ter feito aquela viagem. A viagem que lhe entregou uma missão importantíssima e de alta responsabilidade e lhe tirou o pai para sempre de sua vida.
Enquanto perambulava pelos pátios da faculdade que fora seu sonho desde que começara a estudar, pensava em quais seriam seus próximos passos. Ele tinha uma missão importante e deveria cumpri-la, não só em nome do pai, mas por saber que o mundo inteiro dependia disso. Ele só não sabia por onde começar. Ao observar tudo o que tinha conquistado, pensou se algo envolvido naquilo podia ajudá-lo.
Como um raio de luz para sua mente, seu celular vibrou dentro do bolso da calça social. Com dificuldade buscou-o dentro do bolso e ao olhar o visor, um nome familiar, porém surpreendente, tomou sua visão. Decidiu até sentar-se para atender a ligação do velho amigo. Procurou por um canteiro longe do povo que passava para lá e para cá e acomodou-se.
Barry Quinn começara a faculdade de filosofia ao seu lado, mas desistira no primeiro semestre. Disse que precisava estar mais em contato com as coisas ao invés de apenas estudá-las. Ele passara a estudar arqueologia, e pelo que Paulino havia escutado, ele se tornara bastante renomado em suas pesquisas. A última façanha fora a idéia de desenvolver um robô que perfurasse as paredes das câmaras escondidas das pirâmides do deserto de Gizé no Cairo, enterradas pelas areias do tempo.
—Little Paul? — a voz com sotaque forte falava alto nos ouvidos de Paulino, que reconheceu a simpatia do amigo ao ouvir seu apelido — Como vão as coisas na Inglaterra, camarada?
—Vão ótimas, meu velho! — Paulino demonstrava empolgação ao falar com o amigo — O que te deu na cabeça de me ligar assim? Acabei de me formar, estou vestido em uma beca!
—Beca? — Paulino pôde ouvir a gargalhada falhando seguida de tosse de Barry Quinn. — Essa eu pagaria para ver! Então já é um mestre na arte entediante da filosofia?
Paulino riu levemente ao ouvir a clássica piada do amigo e logo retrucou:
—Qual é, amigão, você sabe que não é uma arte! Mas corte o papo furado, aposto que não ligou só para lembrar-se do amigo. Tem muito mais debaixo desse seu sotaque pomposo.
—Não vou mentir, Little Paul, você me pegou. Fica muito difícil para você arrumar as malas?
Esse gordo ficou louco.
—Já estou com as malas prontas. Tenho de ir para o Brasil hoje à tarde. No que você está pensando?
—Não estou pensando em nada. Você vai vir para o Cairo hoje. Troque a passagem que eu estarei lhe esperando no aeroporto assim que você chegar.
Paulino sabia que aquele desespero era clássico do velho Quinn. Ele realmente precisava fazer uma visita ao Cairo, mas não quando estava tudo planejado para o retorno a sua terra natal.
—Está louco, Quinn? As coisas não funcionam assim, eu tenho de...
—Só escute o que tenho para lhe falar, okay? — Quinn interrompeu o amigo, sabendo que ele pararia para ouvi-lo — O que você diria se soubesse que seu amigo e camarada Barry Quinn está trabalhando para um grupo chamado SSRCC?
Os olhos de Paulino se arregalaram, como se a informação que Quinn lhe passara fosse totalmente impossível. Ficou quieto, esperando ouvir que mais argumentos o amigo teria:
—Pasmo, hã? Agora é melhor procurar um lugar pra beber água, ou uma cama pra se deitar. E se eu te dissesse que eles estão querendo te contratar? O que você me diria?
Um momento de silêncio se fez entre os dois amigos. Paulino olhava para um lado e para outro e tentava conter a emoção de ter ouvido tal proposta.
—É melhor que não esteja mentindo, amigo. Quando eu estiver pra pousar, te ligo.
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