terça-feira, 25 de agosto de 2009

CAPÍTULO 1 – TÃO ÍNTIMOS, TÃO ESTRANHOS.

Longe do Brasil, a quatro horas de fuso-horário, Paulino de Souza e Sophia Goldman terminavam uma longa e maravilhosa noite de amor. Sorridentes, abraçados em cima de sua cama de casal entrelaçando suas pernas, enrolados por um lençol fino.
—Eu te amo. De verdade.
Paulino disse convicto ao beijar a testa da amada. Ela não precisou responder com palavras quando olhava de volta e sorria, os olhos verdes dela penetrando nos negros dele. Ela suspirou e se agarrou ao forte corpo dele, fechando os olhos e desejando não estar em lugar algum, nunca mais.
—Queria eu saber que podemos ficar assim para sempre, Paulino. Você sabe o quanto é difícil para mim, saber que eu não posso declarar isso para o mundo?
—Ei, baby — Paulino sussurrou em seus ouvidos e lhe deu um beijinho na testa. — Nós dois sabíamos o quanto isso ia ser difícil. Nós dois temos segredos que não podemos revelar nem um para o outro, e sempre soubemos disso. É claro que eu queria desistir de tudo, sair desse lugar e te levar para ter uma vida normal. Mas nós dois sabemos que não podemos.
Sophia sorriu e lhe deu um selinho rápido, levantando da cama nua e indo até um cabide pegar seu roupão de banho.
—Você é estranho, Paulino. Eu quero dizer, como você consegue conviver comigo, sem nunca ter me feito uma pergunta sobre meus segredos, minha vida antes desse lugar que me fez vir parar aqui. Como você consegue?
Paulino de Souza não saiu da cama, e respondeu com calma e simplicidade:
—Isso é fácil, Sophia! Você pode me perguntar o quanto quiser, como já fez várias vezes, mas eu não vou te contar o porquê de eu vir parar nesse lugar. Todo mundo aqui tem seus próprios segredos e os consideram vitais para a conclusão de seus trabalhos, assim como você e eu. Não é justo que eu te cobre algo que eu não possa dar em troca — Ele levantou-se da cama, colocou seu roupão e se aproximou da moça, encarando-a profundamente. Começou então a falar mais baixo: — Sophia, você tem de acreditar em nós até o dia em que tivermos coragem de jogar esses objetivos no lixo, para sempre, e pudermos nos concentrar só em nós dois. Nós não podemos ter essa conversa de novo, ela me assusta!
Sophia fechou os olhos, enxugando-os, pois estavam começando a lacrimejar. Com as duas mãos, percorreu o rosto do amado e pressionou seus lábios contra os dele em um longo beijo. Após terminar, ela se deu conta do que acontecera.
—Me desculpa, Paulino. Eu fico pensando todos os dias que vão nos separar. Estão mandando cada vez mais gente para longe para estudar esses milagres, e eu sinto que logo nós vamos ter de entrar nessa também.
Ao perceber a sinceridade nas palavras de Sophia, Paulino a abraçou forte e colocou sua cabeça junto à dela. Esperou até que a emoção à flor da pele que os tinha tomado no momento passasse para tentar novamente confortá-la com suas palavras.
—Eu sei que é hipocrisia da minha parte se eu te disser que não tenho medo disso. Mas nós não podemos deixar nos abalar. Por mais que nos separem, eu nunca vou me esquecer de você. Eu vou estar contigo em cada pensamento do seu dia, não importa onde eu esteja. Eu prometo.
Ambos sabiam que suas vidas por si mesmas podiam afastar um do outro a qualquer momento. Ambos sabiam que não havia remédio, mas já não podiam parar o que haviam começado. O coração era traiçoeiro... Ou seriam suas mentes?

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